Coloquei os pêssegos dentro da chaleira e tampei-a. Encostei-me na bancada e fiquei esperando envolvida em milhares de pensamentos.
Quando enfim a chaleira assoviou, desliguei o fogão e servi em duas xícaras de porcelana com detalhes pintados em azul escuro. Cheguei-me na sala onde ele estava, segurando a bandeja com as xícaras e alguns biscoitos que eu havera feito na manhã daquele mesmo dia.
- Espero que goste. É de pêssego. - disse, me sentando em uma poltrona ao lado do sofá, onde ele estava.
- Pêssego é o meu preferido. - ele disse, sorrindo.
- Eu sei. - tranquei os dentes ao falar. Era óbvio que eu sabia. Tantos anos fazendo o mesmo tipo de chá, para a mesma pessoa. Ficamos em silêncio durando alguns minutos. Eu esperei ele começar, sabia que ele estava procurando palavras descentes para o momento.
- O chá está ótimo. - elogiou ele. - Os biscoitos também. - continuou.
- Obrigada. - sorri.
- Bem, eu estou sentindo saudades de você. - Ele enfim começou o assunto que o trazera até aqui. Fiquei feliz por ouvir tais palavras, mas eu tentaria manter a minha pose de menina forte e cem por cento autoconfiante. Não disse nada. Talvez ele esperasse eu falar alguma coisa, mas eu escolhi me calar e esperar ele terminar seu discurso. - Não sei porque eu fiz aquilo. Nós estávamos tão bem... - Ele lamentou. - Queria que soubesse que senti sua falta esse tempo inteiro, e que me sinto um completo idiota por ter te deixado quando em todo tempo você foi a única que me amou e se preocupou se eu estava bem. - Eu de fato não sabia o que dizer. Parecia ser sincero e eu realmente conhecia ele. - Eu sei que você ficou muito magoada com tudo aquilo, mas eu lamento. Eu queria ter meus amigos e você e num segundo tive que escolher uma das duas coisas. Foi difícil para mim também. - Ele esperou alguma palavra minha, mas eu apenas assenti, deixando claro que eu queria que ele terminasse de falar tudo o que queria. - Eu fui um mal garoto, e eu odeio o fato de ter feito você sofrer. E mesmo que não me aceite de volta algum dia, queria que ao menos me perdoasse.
- Você poderia conviver com as duas coisas muito bem. E mesmo assim você só escolheu uma.
- Eu me arrependo disso. Eu na verdade não sabia que sentiria tanto a sua falta.
- Mas você só deu valor quando me perdeu... - disse ao vento.
Ficamos quietos.
Dez minutos.
Vinte minutos.
Trinta minutos.
Ele enfim soltou três palavras.
- Eu amo você.
Continua...

Nenhum comentário:
Postar um comentário